BACABAL PERDE MAIS UM PEDAÇO DE SUA RAIZ: RAIMUNDO SÉRGIO DE OLIVEIRA - Randyson Laércio

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

BACABAL PERDE MAIS UM PEDAÇO DE SUA RAIZ: RAIMUNDO SÉRGIO DE OLIVEIRA

Por Abel Carvalho

Seu Raimundo Sérgio merece mais que um simples registro da sua morte, mesmo que esse registro aconteça na forma de um belo obituário, embora ele já tenha sido homenageado de algumas maneiras, todas exaltando um pouco do muito que ele fez.Exaltaram deus dotes artísticos como sanfoneiro, compositor, poeta, trovador, escritor, jornalista e historiador.


Para mim certa vez ele confessou que gostava de ser trovador.

Eu quero destacar aqui nessa crônica o seu lado que mais me fascinava: o de amante de Bacabal.

Amante na expressão literal - Pessoa que ama; namorado; apaixonado.

E ele me revelou também que foi amor à primeira vista, a ponto de nunca mais ter sentido vontade de voltar a sua terra natal, da qual também sempre falou muito bem e pela qual demonstrava grande amor.

O Raimundo Sérgio que eu conheci formou, ao lado dos também poetas Brasilino Miranda e Fabrício de Morais, o primeiro trio de pessoas que eu tenho notícias que se preocuparam em levantar, preservar e contar a bela e, ainda insípida e curta, história da cidade de Bacabal.

Seu Fabrício não conseguiu registrar nada em livro, mas deixou muito sobre a história de Bacabal em seu arquivo pessoal. Seu Brasilino ainda fez dois registros: Bacabal por Dentro e Bacabal Moderno. Raimundo Sérgio Escreveu Bacabal de Sempre – Histórias de Bacabal.


Lembraram da sua chegada em Bacabal, na década de 50 do século passado, sob a proteção da lona de um circo onde atuava como um hilário palhaço.

Mostram que ele, como político, foi vereador por 3 legislaturas e candidato a vice-prefeito uma vez.

Eu acrescento que ele também foi corretor de imóveis e com uma preocupação peculiar e incomum entre os seus poucos colegas à época: a organização urbana da cidade.

E acrescento ainda a sua verve jornalística pioneira em nosso município, tanto como correspondente de diários como jornal pequeno, como por inciativa de edição própria com o Correio de Bacabal.Mas seu trabalho como historiador amante de Bacabal não se limitou a um livro. Após se eleger vereador em 1958, ano em que nasci – apenas 8 anos depois de ter chegado aqui -, sua primeira preocupação ao entrar na câmara de vereadores foi buscar os registros das coisas que ali aconteceram antes. E quase nada encontrou.

Começou aí, então seu árduo trabalho de levantar a história de Bacabal levantando inicialmente a história da câmara municipal.

Contou-me que foi um resgate difícil porque quase nada havia sido registrado.

Tratou então, de registrar tudo o que aconteceu a partir do seu período, o fez com destreza. Hoje a câmara dispõe de um bom registro de sua história.

Findo esse levantamento veio o trabalho mais duro, mas segundo o próprio Raimundo Sérgio, mais prazeroso: pesquisar e registrar a história de Bacabal.

E ele fez isso de várias formas. Usou a poesia, a música e a literatura.

Preservou e difundiu aquilo que lhe foi possível, dentro das suas próprias possibilidades e, sem questionar em nenhum momento a falta de apoio.

Hoje a pequena raiz da História de Bacabal ficou mais podre, menos resistente. Mas Raimundo Sérgio vai se juntar em outro plano para fazer orações a nosso favor, ao lado de Brasilino e Fabrício.Aqui agora ficam poucos e com muitas responsabilidades.

Bacabal perde seu amante maior. Eu perco um grande amigo sem nunca ter lhe confessado que sou jornalista por sua causa e inspiração e que aprendi a amar essa terra – não tanto quanto ele – ouvindo embevecido as suas belas e cativantes histórias sobre as coisas do Bacabal de Sempre.

A mesma Bacabal que amamos hoje não chora por ele como ele bem o merece, fato que no futuro se repetirá comigo.

Eu no meu canto choro o meu choro contido.

Não vou ao seu velório nem ao seu enterro.

Repito o gesto que comecei com a morte do meu pai e repeti na de minha irmã, do meu irmão e com Teresinha. Prefiro no registro da minha memória a sua imagem em vida, em pé com o inseparável guarda chuva no braço.

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