"NUNCA DEIXAREI DE FAZER POLÍTICA" DIZ ROSEANA SARNEY EM ENTREVISTA - Randyson Laércio

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

"NUNCA DEIXAREI DE FAZER POLÍTICA" DIZ ROSEANA SARNEY EM ENTREVISTA

Faltando pouco mais de quatro meses para terminar a última das quatro temporadas que passou à frente do governo do Maranhão, num total de 14 anos, a governadora Roseana Sarney (PMDB) resolveu falar do passado, mas principalmente no presente e do seu futuro político. Para uma entrevista exclusiva, ela recebeu O Imparcial e não fugiu de nenhuma indagação. 


Mesmo passando por uma fase de frequentes dores de cabeça, Roseana disse estar tranquila para passar o governo ao sucessor e acredita ter cumprido a promessa de fazer deste mandato o “melhor governo de sua vida”. Enumera os avanços sociais, destaca suas realizações na capital, no interior e fala da parceria com a Prefeitura de São Luís. Diz, taxativa: “Nunca vai deixar a política”. Assegura ter retirado da crise de Pedrinhas, que abalou o seu governo, lições proveitosas para o sistema carcerário. E que vai entrar na campanha de Lobão Filho, quando estiver fora do expediente. 

O Imparcial - Governadora, como está sendo a transição do final de seu governo e da longa temporada no cargo com o dia da despedida?

Está acontecendo tranquilo, pois me preparei para esse momento. Desde quando fui eleita em 2010, já tinha essa posição. Isso não quer dizer que vou abandonar a política, mas deixar de concorrer a cargos políticos. Significa que vou continuar acompanhando o que estiver acontecendo no meu estado e no Brasil. Com a vida política que tenho, certamente que vou continuar dando opinião. 

E qual o seu projeto para depois que sair do Palácio dos Leões?
Tenho um plano de continuar no Maranhão, montar um instituto para ajudar, no que for possível, o estado a buscar meios de explorar as suas potencialidades para se desenvolver mais ainda. 

Quando assumiu esse mandato, em 2011, prometeu fazer o melhor governo de sua vida. A senhora conseguiu?
Tenho plena convicção de que fiz o melhor governo. Acontece, porém, que nem tudo, em termos de investimentos, aparece imediatamente. Montamos toda a infraestrutura para acolher o desenvolvimento do estado, com estradas asfaltadas ligando todos os municípios, a rede hospitalar, melhoramos a educação, trouxemos pesados investimentos empresariais para diversas regiões, melhoramos o sistema de esgoto, elevamos o Produto Interno Bruto, ampliamos o abastecimento de água de São Luís, abrimos novas avenidas.
Será que a população tem essa mesma avaliação?
Acredito que sim, pois me esforcei para ampliar os investimentos em todos os setores, tudo dentro da capacidade do governo. Por exemplo, tenho mais de 1.300 obras realizadas, em andamento e licitadas. São as estradas do Plano Rodoviário vou deixar praticamente terminadas, as obras de São Luís estão em fase de conclusão. Entre elas, estão três penitenciárias. A educação, o Maranhão foi o primeiro estado a entregar os dados ao MEC; estamos deixando a polícia aparelhada; aprovamos o estatuto do Magistério e do servidor público; a Univima, com suas tecnologias, chegou a todos os municípios. 

Por falar em penitenciárias, não se pode deixar de citar o caos que se instalou em Pedrinhas. Depois daquela situação infernal que repercutiu no mundo, a senhora cumpriu as exigências e as metas estabelecidas pelos órgãos colegiados da área?
Às vezes, das tragédias se retira lições construtivas. Depois daquela situação que abalou o governo, consegui formar um conselho com representantes de todos os poderes, e estamos cumprindo todas as metas definidas. O Ministério Público está dando assistência aos presidiários, o Tribunal de Justiça acompanha tudo. O Conselho Penitenciário funciona e as penitenciárias novas estão quase prontas. 

Qual seria a capacidade dos novos presídios?
São aproximadamente 700 vagas, mas até o fim do ano serão mais vagas abertas. 

A violência e os altos índices de crimes são pontos mais destacados pela oposição nas críticas a seu governo. Como a senhora se defende?
Equipamos as polícias com viaturas e armamentos, alugamos helicópteros, fizemos concurso público, instalamos sistemas de monitoramento. Porém, tem que se dizer que a violência hoje foge ao controle de todos os governos e até dos países do mundo. Mas vale dizer que um dos fatos impactantes do Maranhão foi o crescimento da população, o que não correu no Nordeste. E quanto mais cresce a população, mais problemas aparecem, mas estamos preparados e combatendo o crime organizado.

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tem sido um dos indicadores mais atacados de seu governo. Por que o do Maranhão não acompanha o ritmo dos outros estados?

Olha, se for olhar pelos números dos indicadores, eles são inúmeros e os mais diversos. Mas temos os ruins e também temos os bons. Se for escolher o IDH, composto por educação, longevidade e renda, há divergências. Se você pegar a educação, o Maranhão está à frente da Bahia, Alagoas, Sergipe, Amazonas, Piauí e Pará. O analfabetismo absoluto, de 15 anos ou mais, em 1995, era de 31,7%. A taxa, porém, decresceu para 20,8%. Já o infantil, em 1995, o índice era de 28,2%, em 2012 ficou em 5%. 

O PIB per capita também tem discrepância entre o que o seu governo fala e o real, retirados dos dados do governo federal. Como explicar isso?
O nosso PIB subiu de R$ 39 bilhões em 2009 para R$ 52 bilhões em 2011 e pode chegar a R$ 67 bilhões este ano, segundo dados do Imesc (Instituto Maranhense de Estudos Socioeconômico e Cartográficos). 

Quais são os gargalos que atrapalham o crescimento do Maranhão?
O maior gargalo é a população rural maranhense ser a maior do Brasil. Torna-se complicado o estado levar os serviços públicos aos povoados distantes e sem nenhuma estrutura. Como construir uma escola nesses lugares e levar o professor lá? O IBGE diz que a população rural é 38%, mas as nossas estatísticas garantem que ela é 42%. Por isso, essa população termina impossibilitada de receber todos os serviços públicos. Mesmo assim, de 2009 a 2014, 82 empreendimentos foram implantados no Maranhão, com R$ 63,9 bilhões no setor privado de R$ 3,6 bilhões da área pública. Mais de 400 mil jovens foram qualificados no Maranhão Profissional, já o programa Primeiro Emprego vai encerrar o ano com 15 beneficiados. 

E a situação financeira do Maranhão tem sido dito que é crítica, por causa do endividamento. Qual é a realidade? 
Olha, o Maranhão foi considerado o melhor estado em desempenho na área financeira, por isso conseguiu empréstimos de R$ 3,8 bilhões. E até agora só gastamos R$ 1 bilhão, ficando para o próximo governo R$ 2,8 bilhões. Além do mais, estamos totalmente dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal quanto à folha de pessoal. 

Mas esse empréstimo foi motivo de polêmica na Assembleia Legislativa, com acusações de que o dinheiro estaria sendo aplicado de forma eleitoreira.

Não tem como chamar de medida eleitoreira levar uma estrada ao município que nunca teve estrada. Se é eleitoreiro investir num hospital onde nunca teve hospital. Levar escola onde nunca teve escola. Levar água onde nunca teve água. É isso que estamos entregando à população. Falaram que o dinheiro seria empregado em convênios. Não existe isso. Não sou irresponsável, pois os recursos foram aplicados para haver retorno ao estado. Quem fala isso parece não me conhecer. Cuidei com responsabilidade dos meus governos, para os quais fui eleita sempre no primeiro turno.

A senhora vai participar da campanha de Lobão Filho?
Já estou participando. Fora do meu horário de trabalho vou participar sim. Estou dizendo que vou largar a política, mas vou continuar sendo política. Vou deixar de competir, de disputar cargos eleitorais, mas política nunca deixarei de ser. 

Por que se falou tanto em parceria com a Prefeitura de São Luís, mas nunca aconteceu essa relação de fato?
Não é verdade. Sempre tivemos parceria de fato na área de cultura, a secretária de Saúde do município sempre está com o meu secretário de Saúde. Você não acha que as UPAs são parceria com a prefeitura? A Via Expressa não é parceria com o município? As outras avenidas não são parcerias? Ou a prefeitura acha que parceria é só dar dinheiro? 

Mas a prefeitura reclama, governadora.
Sem razão. Se eles acham que parceria é só dar dinheiro, também poderia ir pedir dinheiro à prefeitura. Parceria é parceria. É via de mão dupla. Ou não? Estou fazendo o Espigão, a Avenida Metropolitana, a Quarto Centenário, Via Expressa. Ano passado, telefonei três vezes para o prefeito convidando-o a vir discutir problemas da cidade e ele nunca veio. Mandava era secretários. Sempre estive aberta a dialogar e torço para ele fazer uma boa administração, porque São Luís é minha cidade. 

Depois que a senhora deixar o governo, vai morar na Europa, como tem sido especulado?
(Rindo) Nunca pensei em sair daqui. Aqui nasci e vivi. É minha cidade. Nunca sairei, só se for para descansar. 

O que a senhora pensou fazer no governo e não conseguiu?
Queria fazer tudo. Mas os recursos são limitados. Tudo que fiz foi tentando fazer o melhor possível. 

O próximo governador receberá as condições para dar uma arrancada, de saída?
Vai ter uma situação bem melhor do que a minha. Ele vai até poder fazer mais do que fiz, em cima da infraestrutura que estou deixando pronta. 

Se o próximo governador for seu adversário Flávio Dino, a senhora passará a faixa?
Naturalmente, não tenho receio dessas coisas. Ando de cabeça erguida. 

Governadora, gostaria que a senhora comentasse as denúncias de pagamento de propina por construtora a pessoas de seu governo.
Até agora nada foi comprovado sobre o que saiu. Portanto, me sinto ultrajada, sou uma pessoa séria. Desafio a algum empresário, empreiteiro, ou quem quer que seja a dizer que me deu dinheiro. Estou tranquila, tão tranquila que nem saí candidata a senadora. Falavam que eu iria disputar o Senado para me livrar de processos. Não tenho medo disso. Ando de cabeça erguida.

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